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A Batalha Gramatical entre Dois Baianos Ilustres
Em 1899, o então ministro da Justiça,
Epitácio Pessoa, incumbiu o jornalista e professor de direito Clóvis Beviláqua
(1859-1944) para redigir o anteprojeto do Código Civil brasileiro. A redação da
obra foi concluída em outubro de 1900 e encaminhada ao Congresso Nacional.
O jurista e senador baiano Rui Barbosa
presidiu a comissão do Senado encarregada de estudá-lo. Seu parecer foi entregue
em abril de 1902, com muitas críticas quanto à vernaculidade do trabalho de
Clóvis Beviláqua. Esta obra, com 560 páginas, foi publicada pela Imprensa
Nacional sob o título: "Parecer do Senador Rui Barbosa sobre a Redação do
Projeto do Código Civil".
No mesmo ano, o médico e renomado filólogo
baiano Ernesto Carneiro Ribeiro, professor de Castro Alves e do próprio Rui
Barbosa, foi convidado a realizar a revisão gramatical do Projeto do Código
Civil. Em outubro de 1902, seu trabalho, “Ligeiras Observações sobre as Emendas
do Dr. Rui Barbosa ao Projeto do Código Civil”, foi publicado no Diário do
Congresso.
Em 1904, Rui Barbosa fez a sua monumental “Réplica”
ao trabalho de Carneiro Ribeiro. Ainda hoje, uma das mais importantes obras
sobre a Língua Portuguesa.
Em 1905, Carneiro Ribeiro concluiu a sua "Tréplica":
“Redação do Projeto do Código Civil e a Réplica do Dr. Rui Barbosa”. Outra obra
admirável.
Em 1916, após 16 anos de acaloradas
discussões, o Código Civil brasileiro foi finalmente aprovado. Esteve em vigor
até 2002, dando lugar ao atual Código Civil.
Rui Barbosa e Clóvis Beviláqua
foram membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. As discussões
gramaticais junto com Carneiro Ribeiro, em torno do projeto do Código
Civil, resultaram em contribuições monumentais à
Língua Portuguesa► |